Pessoas diferentes

Pessoas alegres, pessoas tristes ou insatifeitas, pessoas amargas e desiludidas, pessoas correndo na vida por um lugar ao sol, por um sonho, um ideal, uma ilusão talvez. No anonimato de rostos na multidão essas mesmas pessoas cruzam-se todos os dias, mas não se reconhecem. Para algumas a vida é apenas uma coincidencia de eventos, agendas soltas no ar, compromissos adiados ou cancelados, acaso de intenções. Algumas se apegam a uma religião que não radicalize, sem dogmas, sem togas, sem cerimonial burilado. Outras acreditam numa força maior sem nome. Em tempos de crises existenciais elas riem e choram, se deprimem, desacreditam e voltam a acreditar no que as trouxe do Brasil à Europa, cruzando do Oiapoque ao Chuí. Imigrante ou não, outros rótulos serão colados à face e ao sotaque cerceando o movimento, a visão mais amplas que outras pessoas poderiam ter delas. O mundo como uma grande janela, como uma paisagem mutante. No que muda e no que mudamos; essas pessoas rompem seus limites, saem de suas zonas de conforto e escrevem um novo capítulo nas suas vidas.

Pessoas complicadas, e quem não seria num mundo cada vez mais louco e consumista. Sendo ou não um artista, rimando pedaços e fragmentos de palavras, reatamos nossos laços internos, traçamos uma linha, um vínculo, uma expressão do que somos e do que queremos ser. Dias em claro ou a sós, dias pra repensar o que queremos, descomplicando pensamentos, construindo idéias e decifrando labirintos internos. Inventamos um outro país sem tantas maravilhas e seguimos em frente.

Pessoas satisfeitas com as próprias escolhas; na verdade são poucas que quase não aparecem nas estatísticas, mas existem. Assim como eu e você, todos juntos ou separados buscamos a tal falada e cantada felicidade. Ela já vem desembrulhada e com vários nomes e subnomes; pra uns é uma casa no campo como uma canção emblemática. Já pra outros é viajar, visitar e residir em um outro país onde saudade se nutre de outras ilusões em nossas entranhas. A felicidade na existência de outros seres humanos é já ter saúde e o suficiente pra viver, uma razão vez ou outra pra sorrir, gargalhar, cometer loucuras saudáveis e fazer de conta que ainda é criança vivendo sem preocupar-se tanto com as urgências da vida adulta.

Histórias de quem foi morar no exterior e nunca voltou, relatos de quem um dia promete voltar , alguns que nunca foram, mas morrem de vontade, outros ainda que voltaram e viram que a vida não é mais o que desejavam pra si, e esse gigante sul americano era um outro país, bem diferente do que deixaram. Só aprende algo novo quem compartilha, pra quem muda a rotina, deixa de usar os mesmos caminhos, ousa descobrir novas trilhas. Pra quem sai de casa pra descobrir mundo novo, nem que seja pra saber dar mais valor ao que já tem.

Pessoas conscientes, tem noção do próprio espaço e nunca se limitam, nem mesmo o sonho de ser grande. Essas pessoas estão por aí, quem sabe até do seu lado. Elas comeram o pão ainda não amassado e souberam lidar com os incêndios internos; procuraram focar suas atenções no objetivo principal das suas jornadas. Com certeza foram forçadas a mudar por muitas fezes suas rotas, mas mesmo não tenho escolhido nenhum atalho, elas chegaram onde queriam através de outros labirintos.

Pessoas diferentes fazem a diferença dos seus dias quase iguais. Nos acertos e desacertos; a vida é aprendizado e toda viagem é aventura necessária, é aquela que cada um deseja ou desejou um dia. E quando chega a primavera tudo recomeça, seja o coro de pássaros, as férias planejadas, o dinheiro economizado, o emprego novo ou quem sabe um novo amor que nasce dentro de você. Pode ser o amor por alguém, mas antes de tudo o amor próprio que lhe diz que independente do que os outros dizem, falam ou comentam, você é uma pessoa única e único é o sonho que carrega pra onde queira ir.

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