Todas as caminhadas

Ele e seus passos mais leves, sua rota, sua estrada, seu ideal de vida. O desafio de ir mais longe, sua caminhada; uma bússola de todos os nortes, um sinal, uma senha, uma passagem para o sul; e no mapa um ponto, um sonho, uma direção a seguir. Como fruta a madurar, como semente que se planta, a terra abençoa, a chuva cobre seus rastros, o tempo deixa as suas marcas. Uma vontade e um desejo mais forte cresce e o coração meio que na dúvida ainda acredita e se lança sem temer a queda. Na espera dos anos, muitas águas a rolar, muitos córregos, correntes contrárias, gente que vem e que vai, conselhos, dicas de amigos e conhecidos, mas no final a sua decisão impera.

Ele conhece e desconhece as guerras, travou muitas batalhas e nem sempre foi vencedor, imaginou o amor como algo sublime, mas os espinhos sempre estiveram lá. No corte e na cicactriz, venceu seu medo de levantar de novo, de fazer tudo diferente e seguir em frente como rota de navio, como brisa do mar.

Hoje seu vinho de estação tem outro sabor, as décadas lhe brindaram com maturidade. Nada pronto, apenas experimental, como receita que nunca se sabe no que vai dar; cozinhando, misturando ingredientes, temperos, cheiros, aromas, paladares outros. Maduro nas linhas da face, criança no olhar presente e passado encrustados como diamante.

Deseja paz para sorrir e caminhar em outras esquinas, em um país de outros nomes, faces, falares e sons. Descobrir para que veio e se bater a saudade de coisas, ritmos e intenções; reviver as esperanças guardadas e respirar fundo, sorrir e seguir adiante sem pestanejar. Sim, essa é a vida que sempre quis, nunca um dia igual ao outro, nunca desistindo do que acredita, nunca dizendo que nunca vai conseguir. Você pode ser tantas pessoas, o que fez hoje pra ter orgulho de si mesmo? No cruzar daquela esquina seu destino e sua sina de mãos dadas, uma palavra, um som escapa e vira inspiração e mais uma crônica nasce do nada, do sim e do não de hoje, do talvez que ficou na linha perdida no espaço atemporal.

Sorrindo em paz com os olhos calados, toda face e toda expressão, tudo zen e todo tesão. Ele caminha no parque, pára para ouvir os passarinhos, brinca com o cão da vizinha, esquece que horas são e segue a sua rota sem pressa, sem se importar com os outros caminhos. Ele sou eu e talvez seja você num dia como esse de sol, de suor e de chuva. Todas as rimas e nenhuma poesia que nos obrigue a cantar. Toda canção que não crie melodia sempre igual, todo amor que está no ar, todo guarda de trânsito, semáforo e sinal. Tudo diferente como um dia que nasceu pra você acreditar que a vida é o que você faz dela; então olhe pela janela, traduza os sinais e saia de casa pra descobrir do que você é capaz, do que o sucesso é feito. Outras caminhadas nos levam aonde queremos chegar por atalhos nunca antes imaginados.

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