Como tirei minha UK Driving Licence (carteira de motorista)

 

Tirar a Carteira de Motorista na Inglaterra é realmente um trabalho muito difícil. Vou contar a minha história aqui (é realmente uma história (!) ).

Tudo começou com a necessidade de poder me proteger do frio e conseguir chegar rapidamente ao trabalho. Sim, por que vivo longe da cidade de Londres e, para quem vive longe de Londres, a melhor opção de locomoção é realmente ter e poder dirigir um carro.

Os ônibus existem, mas demoram muito para passar, e, com o frio que faz aqui, a chance de você ficar com hipotermia é muito grande… Sem contar com os ventos gelados que insistem em rondar. Para falar a verdade, nem na época de primavera/verão tem-se sossego.

Bom, voltando à questão da carteira de motorista. Realmente eu penei. Feio. Primeiramente foi o teste teórico e o Hazard Perception. Estudar aquele livro do Highway code foi duro. Passei semanas e semanas lendo e re-lendo aquele livro (não que eu não entendesse o que estava escrito nele mas por que realmente o jeito que eles escrevem é bem técnico).

Bom, o primeiro estágio havia passado. Depois de umas sete a dez semanas lendo e memorizando o conteúdo eu estava craque nas teorias. Daí veio o Hazard Perception. Este ai é uma baita pegadinha… Você deve prestar atenção numa sequência de videos (é como se você estivesse dirigindo o carro pela tela do computador).  Nesta tela aparecem várias cenas que você deve considerar perigosas, portanto deve reduzir a velocidade clicando, tais como crianças atravessando a rua, idosos, pessoas com carrinhos de bebês, carros parando rapidamente, curvas perigosas, etc. Cada vez que você achar que aquilo é perigoso, deve clicar. O problema é que, você como o motorista deve se atentar para estes detalhes com muita antecedência, basicamente você deve quase que adivinhar o que vai acontecer quando a pessoa estiver “pensando” em tomar aquela atitude.

Obviamente você não pode clicar a qualquer hora. Existem as horas certas de se clicar. Se você clicar a cada segundo, no dia da prova, o sistema pode te reprovar por achar que você não está considerando a questão com seriedade e está tentando “cheat the system”.

Sempre achei que os britânicos eram fanáticos por segurança, mas esta aí era nova para mim. Bom, depois de estudar e treinar muito as duas modalidades, resolvi marcar a minha prova teorica.

Com muito esforço passei na primeira (ufa!!!) – mas corri um alto risco de ser reprovada devido ao maldito Hazard Perception, ou seja, passei “raspando”.

A prova teórica para tirar a carta de motorista na Inglaterra é completamente diferente da Brasileira em grau e gênero.  Para começar o candidato faz a prova pelo computador, tudo informatizado. Nada de papel e caneta. É dado um tempo de cerca de 40 minutos para as duas provas juntas (teórica e hazard perception). Tudo cronometrado. Após realizados os dois testes, o resultado é coletado na mesma hora (no meu caso uma velhinha me entregou o resultado e eu, quando vi, quase gritei de alegria). Mas esta era só uma etapa da batalha que estava por vir…

Depois de passar na primeira pelo teste teórico, e com cinco anos de experiência como motorista em São Paulo, pensava eu (ingenuamente) que iria passar na boa quando fosse fazer o teste prático. Mas reconhecia que teria que contratar os serviços de um instrutor, pois, sinceramente o “modo” de dirigir em São Paulo é completamente diferente do modo de dirigir aqui na Inglaterra. As pessoas aqui tem mais educação no trânsito. Elas param (quase todas as vezes) para os pedestres passar quando se está esperando num “zebra crossing“, em algumas ruas (especialmente no interior) não precisam nem de semáforo de pedestres. As rotatórias (um pesadelo para mim no começo) são muito mais complexas do que as do Brasil. Elas são gigantescas e, se o motorista não tiver uma educação de trânsito apropriada, é acidente na certa.

Enfim, o modo de dirigir na Inglaterra é totalmente diferente, dai então a necessidade de contratar um instrutor. O meu primeiro instrutor (sim, por que tive dois) era um ex-soldado de guerra. O cara era meio maluco, e toda vez que ia me dar uma instrução, falava muito alto, e eu, já nervosa com as rotatórias da região onde estava praticando, ficava pior ainda.

Eis que no dia da minha prova, obviamente já estava uma pilha de nervos, fui e bombei.

Mas estava decidida a tirar a carta de motorista, e resolvi mudar de instrutor e de lugar. Bom, de lugar na realidade mudei por que não tinha disponibilidade de dias para a minha cidade. Um verdadeiro pesadelo. O que acontece é que se você reprova na prova prática, eles só tem disponibilidade para depois de dois meses. Dai você tem que ficar pagando um instrutor senão você esquece de todas as técnicas que eles querem que você tenha para passar na prova prática.

Eu não queria esperar por muito tempo, então decidi fazer meu segundo teste em uma outra cidade no interior da Inglaterra, chamada Winchester, pois essa cidade tinha disponibilidade para uma data bem próxima. Fiquei animada pois daí eu não precisaria contratar os serviços de um outro intrutor (minhas aulas anteriores ainda estavam frescas na minha cabeça). Pois bem, eis que no dia da minha prova eu pego nada mais nada menos do que a gerente do centro de teste (bom, isso eu fui saber depois). Sabe aquele tipo de pessoa tão detalhista e chata? ela é multiplicada por 500. Nem precisa perguntar se eu passei né?

Dai depois de muito chororô eu decidi que não iria trocar de centro pois já estava acostumada com as ruas daquele lugar e se trocasse de centro minha cabeça iria ficar ainda mais confusa para me acostumar com outras ruas (sim por que o teste prático é feito nas ruas, na vida real, como um motorista real). Então continuei na mesma cidade.

Peguei um instrutor da cidade, um velhinho muito simpático e calmo. Ele me passou toda a confiança que eu precisava (eu que já dirigia há anos no Brasil, tendo que passar por uma situação dessas… foi o Ó!)

Fiz meu terceiro teste, como estava muito nervosa e, por um azar do destino, peguei a mesma mulher que tinha me reprovado na prova anterior – fez questão de me reprovar de novo por motivos ridículos…  Chorei de novo (de raiva principalmente), mas também fiquei muito chateada por estar gastando tanto dinheiro e tempo por algo que estava lutando tanto para conseguir e, até então não tinha conseguido.

Até que meu marido descobriu um site na internet que vende um software muito bacana que fica pesquisando 24 horas por dia os cancelamentos de provas práticas na Inglaterra. Isso me facilitaria a vida pois eu ia poder marcar minha próxima prova bem antes sem precisar ficar esperando mais dois meses (e pagando instrutores).

Consegui encontrat uma data em uma outra cidade (Southampton) e pensei, quer saber? vou fazer minha prova lá. Fui, mas antes passei no médico e, como sou uma pessoa muito tensa, pedi ao médico para me receitar um calmante. Tomei o calmante e fui.

É claro que The Ballad of John and Yoko (Beatles) virou minha música tema:

“Standing in the dock at Southampton…

…Christ you know it ain’t easy,
You know how hard it can be.
The way things are going
They’re gonna crucify me.”

Resultado: PASSEI!! Ufa, depois de tanto esforço o pesadelo havia acabado, eu nem acreditava.

Bom essa foi a minha experiência para conseguir dirigir nas ruas da Inglaterra.

Driving Test na Inglaterra! Passei!

Driving Test na Inglaterra! Passei!

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3 Comments

  1. nina says:

    Incrível…..estau passando pelo mesmo problema.. na alemanha Ninguém merece!!

  2. larissa says:

    oi por gentileza gostaria de saber o nome desse site que voce citou a cima ,estou fazendo testes praticos de direcao para full driving licence e esse site me ajudaria muito obrigado por postar esse depoimento tudo de bom pra vc .