Sonhos maduros – parte dois

Alguém saberia dizer quando deixamos de sonhar? Acho que nunca. Na verdade a vida é um sonho ou seria um pesadelo às vêzes? Filosofia de final de semana à parte. Falemos sim dos sonhos possíveis que almejamos uma vida inteira. São sonhos que nos trazem à idade mais madura, leia-se ao final dos trinta e na casa dos “enta”. O que se deseja tem sempre um preço a ser pago, seja em dinheiro ou em aflições nos tais percalços da vida.

Por exemplo quando se sonha em morar fora do Brasil, seja pelo tempo que for, para estudar, trabalhar, morar, etc e tal. Enfrentamos as fases de adaptação: língua, clima, comida, novos amigos e inimigos ou melhorar dizendo animosidades para usar uma palavra mais chique ou mais leve.

No meio desse processo todo, você se pergunta o que lhe trouxe, o que lhe motivou, o que ainda motiva, do que se arrepende, e outras “encucações” naqueles dias meio de sol e meio nublado em que o sofá é o refúgio e a cabeça gira a mais de mil, entre culpas, deprê leve e stress inevitável. Nesses momentos procuramos encontrar a sintonia de nós mesmos, plantar os pés no chão ou pelo menos tentar para quem é sonhador por natureza.

Lembra-se quanto tempo levou para você atingir o seu objetivo ou quanto ainda falta? Os contatos ajudaram-no nessa empreitada? Amigos, conhecidos, família deram aquele “toque”, dica, sugestão ou comentário que impulsionou seu desejo e fez da teoria uma ação mais prática? Em qualquer um dos casos ou acontecimentos, o importante hoje, nesse exato momento é saber o que aprendeu de verdade ao longo dos anos, e não do que se arrepende de ter ou não ter feito.

Sente-se confortável com o que possui no que seja material, pessoal, emocional e transcendental? A lição valeu o preço? Encontrou a paz? A calma para dormir sossegado e encarar o dia seguinte sem queixas nem lamúrias disso e daquilo? Me diz ai, o que essa nova casa, essa cidade, esse país estrangeiro lhe ofereceu? e o que teve de ir lá com cara e coragem, arrancar e fazer por merecer?

Eu bem sei que às vêzes dá aquele desanimo no meio do caminho ou após termos passado um rio de águas mais caldalosas, tanta lama, tanta pressão enfrentada e sofrida pelo fato de ser estrangeiro, diferente ou sei lá o quê.

Mas o que lhe falta hoje? Seria mais dias de sol? ou quem sabe ter a família mais perto de si. Se você já mora na europa deve saber muito bem que o caminho de volta fica muitas vezes só na vontade. Muita água rolou e nem você é mais o mesmo. Provou de sabores distintos, se acostumou com o dia-a-dia, transitando em dois mundos e meio que a um passo de cada um sem nunca chegar. A língua ainda enrola, a garganta arranha às vêzes e agente vai levando, entendendo e fazendo-se entender.

No final de semana tem aqueles “encontros patrióticos”: batucada, samba, feijoada, show do seu artista favorito e até carnaval multicultural. Matando saudades sempre vivas e eternas. Batendo na panela, fazendo rima, cadência, convivendo ainda com muitos sonhos que vão nascer e crescer com você.

Nosso sonho não é um cheque sem fundo que bate e volta. Esse desejo verdadeiro lhe vira pelo avesso e por mais que neguemos nos tira o sono e continua em ebulição. O sabor da vitória nunca vem do acaso, nem mesmo aquele prêmio modesto na loteria abalou a sua fé de que um dia seu dia vai chegar.

Mas enquanto isso não acontence, que tal lidar com a crueza da realidade? Quem não chora não mama. Além dos cliquês e outros ditados populares, sonhos maduros deve valer cada ruga e cada lágrima derramada e cada marca na alma do peregrino e do aventureiro. Me conta, que sonhos ainda embalam suas canções eternas?

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1 Response

  1. Sandro says:

    Passei por aqui para conhecer seu blog.
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    Abraço em Cristo,

    Sandro
    http://oreinoemnos.blogspot.com/
    Te espero lá.