Histórias de uma Alma Peregrina

Há um leque, uma paisagem mais ampla, um vasto horizonte. Há possibilidades dentro de nós, portas que se abrem e se fecham ao nosso desejo . Há um fôlego a mais quando o corpo ainda cansado dialoga com o espírito e asas invíveis amenizam as quedas inevitáveis. No dia seguinte estamos de novo de pé , cabeça erguida, feridas ainda abertas, cicatrizes expostas.

Ainda convivemos com medos tolos e reais. Olhamos pra trás e vemos que a vida segue seu curso, como rio desfolhando histórias, como terra molhada, como chuva bendita, como brisa , como emoção sem limites. Meus olhos me assistem e acham tudo tão natural, no susto e nos receios que me acompanham. Estou mais velho, mas nem por issome sinto mais sábio, mais forte, mais louco ou mais santo.

No que a minha voz arranha, no que os olhos marejam, no que a boca não diz, no que a palavra cala, no quebra-cabeça de frases soltas, no respirar mais pesado, no calor e no frio de dias de inverno, encontro outros possibilidades. Há ainda tanto o que dizer e o que calar.

Minha viagem recomeça quando pareço estar no mesmo lugar. Amar é possível. Viver é impressindível. Vivenciar , compartilhar, ofertar, receber e aprender. Sou eu a possibilidade de algo melhor. Sou eu Brasileiro, imigrante, triste e alegre, distante ou perto de quem me abraça.

Sou eu saudade de vários nomes, expressão plural e singular da minha alma peregrina. Imprimo todos os dias o meu jeito de ser e de sentir. Sou mais adulto quando liberto a minha criança eterna.

No vento mais frio, ansiamos uma nova primavera. No que rima e no que apenas tem uma cadência diferente. Ainda busco vida em outras vidas, outras possibilidades. Sigo por caminhos tão meus, minhas escolhas, meus erros e acertos, meus deslizes e outras alegrias fragmentadas. Deixei de contar o tempo através do relógio de pulso.

Deixei de desculpar-me pelas minhas tolas teimosias. Deixei de estar preso ao passado pra entender o que vivi e aprendi e sentir-me pronto para o próximo estágio. Vejo as possibilidades na minha alma que sonha, que chora e ri, que se agita como as últimas folhas nas árvores num inverno que se despede. Eu também digo adeus para quem me vê passar em mais uma estação da vida.

O trem que me leva pro trabalho é o mesmo trem que carrega minhas inquietações, onde distribuo frases e palavras-irmãs na folha de papel avulso. Nas vozes que quebram o silêncio, imagino o vento lá fora e seus códigos e sinais. Nas possibilidades estou sempre a um passo de ser grande de dentro pra fora.

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1 Response

  1. Bira,

    Parece-me, ao ler seu texto, que comungamos do mesmo momento. Pude ler você e ver a mim. Há ainda no mundo, que se abastece de maldades e caminhos desviados, pessoas com a sensibilidade e o dom de se aperceber, de viver e buscar o que é a nossa única missão: ser feliz!

    Gostei do li. Volto mais.

    Valéria