O consumismo britânico

Algo que denota aos olhos da maioria dos brasileiros que andam pelas terras da rainha é o forte consumismo presente no Reino Unido. Para nós, brasileiros acostumados a ver cenas de extrema desigualdade social, muitas vezes chega a ser espantosa a forma como os britânicos tratam os bens de consumo. Mesmo em tempos de crise, é comum ver no Reino Unido pessoas jogando no lixo bens de consumo apenas por que estão sujos e precisam de uma boa limpeza. Comprar outro produto igual é mais fácil do que lavar o usado… Ou entupindo suas casas de “tranqueiras” apenas porque eram produtos “muito baratos” e não resistiram à vontade de comprar.

O consumismo, por muitos pode ser justificado devido às facilidades da vida “moderna”, quando é fácil comprar tudo o que quiser pela internet e receber o produto até no mesmo dia. Outra boa justificativa para o consumismo talvez seja o preço dos produtos, que muitas vezes é tão baixo que atrai muitos compradores, mesmo aqueles que não precisam do produto.

Casal consumista

Casal consumista

Em países chamados de desenvolvidos, como Inglaterra por exemplo, o fanatismo das pessoas por astros e estrelas da mídia é vastamente alimentado e explorado e também justifica boa parte do consumismo. Uma peça de roupa ou acessório de marca desconhecida pode vender fabulosas somas caso alguma beldade de Hollywood tire algumas fotos usando o apetrecho. Esse tipo de fanatismo alimenta a indústria de  produtos da moda, beleza e de serviços relacionados. Muita gente gasta muito mais do que pode apenas para utilizar produtos semelhantes ao de sua estrela “hollywoodiana”.

Segundo uma pesquisa publicada no jornal Telegraph, uma em cada seis mulheres britânicas são shopaholics (“malucas por compras”) e um em cada sete homens também é shopaholic! Uma pessoa “shopaholic” tende a gastar fortunas em compras. Na maioria dos casos, o consumismo passa a ser um vício, que pode afetar seriamente a vida finaceira desses indivíduos em tempos de crise.

Em 2009, ocorreu até um caso “bizarro” quando Joan Cunnane, uma senhor de 77 anos, desapareceu durante o feriado de Natal e acabou por ser encontrada em sua casa em Manchester, enterrada sob uma avalanche de roupas e malas.

Segundo um dos amigos mais próximos de Joana, ela tinha até uma coleção de mais de 300 lenços, e mencionava que “precisava de todos e todos eram de cores diferentes..” Sua casa, de acordo com o jornal Daily Mail, ela tinha a casa lotada de guarda-sóis novos, castiçais de velas do IKEA, bijuterias, roupas e outros itens que Joana colecionava.

Quando um vizinho notou que Joana não aparecia por vários dias, ele foi na casa dela, mas não conseguiu encontrá-la. Então ele acionou a polícia e após dois dias de buscas, a polícia localizou seu corpo embaixo de pilhas monstruosas de malas e caixas cheias de roupas e items sequer utilizados. Foi necessária uma equipe de seis policiais e dois dias para carregar todo o “lixo” em uma van.

Comparando-se com o Brasil, com certeza pode-se afirmar que o consumismo é muito mais visível na Inglaterra. A economia inglesa e a força da sua moeda (libras esterlinas) ajuda muito a manter a baixa inflação e o acceso da população à produtos “baratos”. Como a concorrência é gigante e o marketing direcionado aos consumidores finais é maior ainda, o consumismo torna-se algo popular que dissemina-se ajudando a manter a economia do país, mesmo sendo isso as custas de mais poluição…

E você? Considera-se um consumista? Concorda que os britânicos são em geral mais consumistas que os brasileiros?

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