Certas mutações

Eu me viro pelo avesso e meu casaco é a minha segunda pele. Meus olhos fotografam a realidade mais pura e nua, na crueldade de certas atitudes, no ar gelado, na individualidade de quem passa na rua sem perceber o outros. Por onde ando eu vejo pichações nos muros e outras agressões visuais. Mas há olhares que agridem mais que o cinza do dia ou o frio que sopra de todos os lados. Estou em cada trem que passa e ainda sou eu que aguardo o próximo trem na estação. Certas mudanças em nossas vidas são inevitáveis, como o passar do tempo, a passagem dos anos, no tunel de emoções, no turbilhão de outros sentimentos que experimentamos ao longo da nossa existência.

Mas eu falo de mim, esse ser que ainda me intriga, que vez ou outra eu perco a trilha, como quem caça idéias, razões, intenções, sonhos e tenho a sorte de numa pesca imaginária , visgar pensamentos inesperados. Vivo meu tempo de mutações, de deixar de achar e analizar demais pra simplesmente viver a experiência. Sem urgências, sem culpas, sem aflições, sem teimosias desnecessárias. A palavra que foge da minha boca ainda desconhece o certo ou o errado, o que digo nem sempre tem censura, mas o que sinto ainda vive amordaçado. Em certos momentos minha tristeza dá lugar á euforia desmedida, e abrindo outras portas encontro minhas saídas.

Ainda vivo na luta por auto aceitação, nas minhas crises, nas minhas reconciliações comigo mesmo, perdoando o que ainda não entendo. Na minha vida de imigrante minha rotina ainda me causa estranheza por mais que pareça normal, repetitiva ou seja lá que nome queiram dar. Cada tem o seu tempo de entender mudanças e adaptar-se a elas.

Eu tenho meu relógio ás avessas, meu tic tac vai mais lento, minha pressa se define nas minhas ansiedades, na respiraçao aflita, na boca seca, noslabios frios de quem engole o café e já está na estação pra não perder o trem das 07:45. Meu dia começa com as preocupações de ontem, com a briguinha do final de semana, com a reconcialição na madruga de domingo pra segunda-feira. No convívio de casal aprendo a gritar sem levantar a voz,aprendo a dizer do que gosto e não gosto na atitude alheia. Direitos e deveres mútuos, afinal somos responsáveis pelo que nos acontece, pela palavra , pela intenção, e também pelo mal entendido de certos dias. Mudamos o rumo, muda a lua , mudam os sinais, mas levo eu mais tempo pra compreender a minhas mudanças , meu “azedos” meus “doces”e meus desejos inteiros. Mudei de casa, de endereço, de país , de continente , mas continuo o mesmo na vontade de mudar e vencer minhas limitações aparentes. Pra cada um de nós certas mutações levam o tempo certo pra fazer nascer a flor da maturidade que almejamos.

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3 Responses

  1. Tânia Albino says:

    Oi Bira,
    Escreves bem, colocas teus sentimentos e emoções de uma tal maneira que quase os enxergamos… parabéns e tudo de bom pra ti.

    Tânia

  1. 7 de February de 2012

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  2. 9 de February de 2012

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