As outras caixas de Pandora

As outras caixas de Pandora que desconhecemos. Quantos de nós possuem assuntos mal resolvidos, histórias para contar, aventuras, buscas e esperas. Quantos de nós nos refletimos nos outros em erros, acertos, encontros e desencontros.

Felicidade parece ás vêzes como chuva de verão, vem e vai que nem percebemos se realmente entendemos as razões dela ir e vir ou permanecer por longo ou curto tempo.

Quando eu me vejo em você, medito sobre a minha condição no mundo, que terras e caminhos escolhi e como fui escolhido pelo destino, sina ou seja lá o nome que possamos dar a isso.

Meu templo, igreja, sinagoga, mesquita, minha cabana nas montanhas, minha casa, meu lar. A paz que todos buscamos. A minha paz reside no silêncio de mim mesmo, na compreensão mais simples e mais humana do divino em todos nós.

Na minha caixa de Pandora já vi quase todos os males do mundo, senti na pele seus efeitos, paguei por grandes e pequenos erros, por julgamentos apressados, por não saber como lidar com situações, pessoas e crises outras.

Talvez na sua caixa de Pandora você tenha adivinhado a esperança e a fé antes que o desespero atingisse a sua alma; talvez tenha pisado em pedras, seixos, espinhos, num caminho só seu. No diário mais que pessoal talvez você tenha se libertado do que é sem valor, passageiro, fulgaz.

Assim como eu talvez tenha fechado a sua caixa a tempo pra que o aniquilador da esperança não fugisse, e hoje reserva o amor como base pra falar da vida, das inquietações, do dissabor de certos momentos, situações, das frustações e desejos outros que não cabem no limite que nos impomos ás vêzes.

A caixa é como uma concha, eco dos nossos pensamentos, do espírito livre que voa e ainda quer mais da vida e dos sabores que ela traz. O presente do dia de hoje é para ser vivido, seria uma caixa diferente, sem laços, nem enfeites, mas simples, singela, só sua, na medida certa dos seus desejos e necessidades.

Assim como quem desembrulha um presente a caixa deve ser aberta com cuidado, como quem carrega um recém-nascido, uma pétala de flor, uma pluma, uma pena que facilmente se perde levada pelo vento de outras mudanças, por rajadas de ventos contrários. Ao abrir a sua caixa desembrulhe o presente com a delicada de quem lida com um órgão vivo, com a destreza de um cirurgião.

O presente é seu e de mais ninguém, receba sem reclamar, sem achar que é demais ou de menos, receba com um sorriso e com lágrimas de alegria se for o caso. Seja humilde e paciente consigo mesmo, afinal de contas essa caixa e esse presente tem o seu nome, pois nào foi feito com os pecados dos Deuses do Olimpo ou de Pandora, mas é resultado das chances que a vida lhe deu e que você soube agarrar.

A caixa traz mais que uma promessa, ela não vive dos erros do passado, mas está pronta pra receber os novos erros, os acertos, as vitórias e derrotas, pois lá no fundo da caixa há a aliança, o anel da reconciliação do seu ser humano e falível com o que lhe faz divino. Abra o seu presente sem medo ou receio, pois cada tem que aprender a lida com a sua própria caixa de Pandora.

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