Aprendizagem de uma segunda língua na infância

Minha formação como professora (EFL) de inglês, tendo residido na Inglaterra por alguns anos, adquirido meus certificados de Cambridge após muitos anos de estudo da língua e casado com cidadão inglês foram provas suficientes para mim de que há varias maneiras/opções/alternativas para se tornar fluente em um idioma.

Após residir durante nove anos no Brasil com meu marido inglês e meus dois filhos, decidimos que era tempo de fazer uma experiência na Inglaterra com as crianças para que pudessem adquirir fluência na língua inglesa além de vivenciar a cultura Britânica, haja visto terem dupla nacionalidade.

Sendo assim, nos mudamos para Norfolk, no interior leste da Inglaterra, em pleno mês de dezembro, trocando o verão tropical pelo rigoroso inverno europeu. Minha maior preocupação com as crianças era a drástica mudança de clima, visto que nunca tinham experimentado temperaturas abaixo de 10 graus. Chegamos uma semana antes do Natal e a primeira coisa que fizemos foi ir as compras para casacos, botas, cachecol, luvas, chapéus e gorros de lá.

Na segunda semana de janeiro as crianças começaram a escola e a ansiedade era grande. Minha filha então com 9 anos e meu filho com 6. Apesar de terem sempre estudado inglês em escolas particulares de inglês em São Paulo, e terem ótimo conhecimento da língua, as barreiras de comunicação numa segunda língua num pais estranho podem parecer imensas em primeira instância, e eu diria que a timidez é uma delas. Porém, quando se é criança tudo se torna mais simples.

A criança tem vários pontos a seu favor na aprendizagem de um segundo idioma, principalmente quando inserida num contexto estrangeiro. A saber:

  • a criança não tem preconceitos
  • a criança é desprendida de rótulas sociais
  • a criança tem mais facilidade de inter-relacionamento
  • a criança expressa o que sente
  • a criança aprende participando, logo, inter-agindo de forma concreta e confirmando processo de assimilação
  • a criança precisa se sentir inclusa para produzir resultados
  • a criança é espontânea
  • a criança é um livro aberto para quem quiser ler e escrever

Ou seja, em apenas três meses de residência na Inglaterra meus filhos já se sentiam totalmente integrados aos seus respectivos grupos escolares, e se comunicavam com desenvoltura e segurança. Obviamente, a comunicação oral se desenvolveu em primeiro lugar, porem a leitura e a escrita foram processos subseqüentes naturais. Meu filho mais novo que havia iniciado sua alfabetizacao no Brasil apenas um ano antes da mudança, acredito, passou por um processo de internalização da língua diferente de minha filha que já possuía total domínio da escrita em português.

Aprendizagem de inglês

Aprendizagem de inglês

Está comprovado cientificamente que quando exposto a uma segunda língua antes dos 8 anos de idade, o cérebro da criança tende a absorver mais dinamicamente a habilidade de comunicação noutro idioma, a ponto da criança dominar o idioma em proporções incomparáveis com um adulto nas mesmas circunstâncias.

“A partir dos cinco ou seis anos é o momento do desenvolvimento, em que o cérebro da criança começa a se especializar. Os hemisférios direito e esquerdo passam a ocupar-se de funções diferentes e bem definidas, hoje conhecidas respectivamente como lobos da emotividade e cognição, para citar uma entre outras funções. Estão abertas as janelas do sentido de lateralidade e direcionalidade. É o momento de orientar o corpo no espaço. Dança, judô ou natação são excelentes para essa faixa etária. É o momento também em que a criança já consegue cotejar as próprias experiências, para delas extrair conclusões. Inicia-se o raciocínio lógico-formal (Pimentel-Souza,1995)”.

Hoje, após 18 meses de residência na Inglaterra posso assegurar-lhes que não existe curso de línguas mais eficaz/intensivo do que total imersão na língua que se deseja aprender, e isso só se adquire quando se reside por um período razoável no pais da língua falada. Ademais, a vantagem de se aprender cedo na infância é o tão falado “accent” que se evita quando estudamos no nosso próprio pais. Posso garantir que quando eu falo inglês todos me identificam como uma estrangeira/turista ao passo que quando meus filhos falam eles soam perfeitamente como nativos.

O processo de aprendizagem de uma língua estrangeira no pais de origem é muito mais rico, pois os “in-puts” que se agregam a vivencia da cultura e experiência diária não se comparam ao simples processo de se freqüentar uma ou duas aulas por semana de curso no Brasil. Sem duvida, toda aprendizagem é relativa e eu diria que depende muito mais do aluno do que do professor ou curso, contudo, quando se deseja ganhar tempo, a aprendizagem no exterior, sem margens de duvida, é a mais eficaz que existe.

Aprender uma língua é avançar fronteiras e consumir cultura que, para mim, é a maior riqueza que o homem sábio poderá almejar em sua curta existência.

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4 Responses

  1. Rejane says:

    I really enjoyed your article and hope to read more about your experiences in England.

  2. ola says:

    rose sou brasileira moro em portugal,gostaria de poder falar consigo em particular sera que podes

  3. Gostei muito desta postagem! Estudo espanhol e pretendo ter um filho, e estava justamente me perguntando com quantos anos poderei iniciá-lo no aprendizado de um novo idioma (no caso, gostaria que ele aprendesse espanhol por ser o segundo idioma mais falado e o inglês que é de importância primordial).
    Vejo que é a partir da idade escolar mesmo, por volta dos 5 ou 6 anos, quando a criança já está com um vocabulário desenvolvido e poderá compreender um novo idioma.
    Obrigado, tirou minhas dúvidas!

  4. Leticia says:

    Prezada Rose,
    estou inciando meus planos para passar 1 ano em Oxford realizando uma pesquisa. Se tudo der certo, irei com bolsa do governo brasileiro.
    Mas enquanto tomo as providencias de natureza mais academica e profissional para viabilizar esta viagem, estou sondando sobre escolas para meu filho que então terá 11 anos. E foi assim que chegeui ao site onde vc de modo tão generoso e competente compartilha suas experiencias.
    Meus planos são os de ir exatamente no mesmo periodo em que vc foi, conforme seu artigo indica.
    Como meu filho ainda não tem dominio da lingua inglesa – longe disso – minha idéia é que ele inicie suas aulas em janeiro na série que já tera começado lá, mas que ele já tera terminado aqui, o que poderá facilitar sua adaptação, amenizando assim todas as outras dificuldades de uma experiencia tão nova como esta para ele.
    Enfim, se vc pudesse fazer a enorme gentileza de me dar a sua visão sobre esta idéia e, mais que isso, se vc pudesse tb me orientar sobre como solicitar vaga daqui (disseram-me que é dificil conseguir vaga assim no meio do periodo escolar)
    muitissimo obrigada,
    Leticia